Categoria: Máquina do Mundo

Seis poemas de Carla Diacov

Coração #01 O coração da menina Que rouba chiclete o coração da Senhora que perde o gato o Coração do gato e o do anfíbio na boca do gato Especialmente o coração da Menina que rouba chiclete O coração da menina a Invenção da bicicleta Coração #02 O coração tatuado na coxa Do braço direito…

By revistalavoura Março 21, 2019 0

Três poemas de Valeska Torres

Pombo morto o tempo com suas grandes mandíbulas esmigalhando a carniça caída feito o pombo morto entre carros na dom hélder câmara   as cutículas sangrando espirrando líquido vermelho tudo é dor dentro as unhas se quebram a cada soco dado nesse punho que é meu desespero essa fala comprida esse wifi torres 123 minha…

By revistalavoura Março 14, 2019 0

Quatro poemas de Bruno Brum

Angu da influência baudelaire não leu bolaño kafka não leu drummond tchekhov não leu carver rimbaud não leu o’hara dante não leu piva dickinson não leu creeley lorca não leu helder villon não leu whitman safo não leu sophia sá-carneiro não leu torquato corbière não leu parra lautrèamont não leu brossa huidobro não leu hilda…

By revistalavoura Fevereiro 28, 2019 2

Dois poemas de João Innecco

i. baby apesar do medo eu percebi sua calça cáqui – que cor era aquela? – a nuca a silhueta te desejei no ponto de ônibus esses lugares passageiros estão cheios de gente como você ou é coisa minha isso mas há sempre alguém voluptuosamente interessante passando ligeiro com calça cáqui com canelas de fora…

By revistalavoura Janeiro 17, 2019 0

Dois poemas de Pilar Bu

além da nebulosa   mergulhar no abismo que transborda expandir a coluna vertebral e ganhar alguns centímetros   passar 288 dias fora da terra e ver tudo como quem vaga por tantas e tantas órbitas   fazer cálculos intermináveis ir aonde os sonhos mortais não ousam habitar para encarar a solidão   desafiar estrelas nuvens…

By revistalavoura Janeiro 15, 2019 0

Dois Poemas de Jorge Pereira

Tisanas I As cores das palavras que pronuncias confundem-me. Nem eu nem tu somos capazes de compreendê-las todas. Por isso, supomos que não significam nada, que se assemelham ao rigor do silêncio, e à sua triste e contemplativa quietude Mas, um dia choraremos sobre os mesmos lenços, pelos mesmos olhos, e já não haverá palavras…

By Arthur Lungov setembro 9, 2018 0

Quatro Poemas de Jeanne Callegari

Alicate sobre o que se pode cortar. pele que se derretida em brancos e azuis, que coisa é o vermelho, uma cor tão escolhida. preferencialmente sem escalavrar grandes granduras, o mar é raso, o tesouro sutil rutilado, trabalho a liquefazer antes que o sol –   na boca apodrecem, fora da mão apodrecem, endurecem, metal…

By Arthur Lungov setembro 5, 2018 0

Quatro Poemas de Diana Junkes

Poema Antinatural feche os olhos de sua mãe ordenou a enfermeira complacente e sarcástica olhei então para seus olhos abertos ao nada a boca aberta a morte deslizei a mão esquerda das sobrancelhas aos malares salientes como os meus   até aquele momento eu não havia entendido ela agonizava eu não havia entendido a despeito…

By Arthur Lungov agosto 12, 2018 0

Quatro Poemas de Luís Perdiz

Fera o amor é delírio com seus sopros sedentos de esporos na mata esparsa onde nossa derme se reveste na seiva do sexo celeste na vala voraz do entreaberto na galáxia rasgada de seus versos – Prece deus me proteja do som e da esgrima carnívora do dia escalavrada fremente bárbara que avança atônita e…

By Arthur Lungov junho 19, 2018 0