Dois Poemas de Jorge Pereira

09/09/2018 / postado por Arthur Lungov

Tisanas

I

As cores das palavras que pronuncias

confundem-me.

Nem eu nem tu

somos capazes de compreendê-las todas.

Por isso, supomos que não significam nada,

que se assemelham ao rigor do silêncio,

e à sua triste e contemplativa quietude

Mas, um dia choraremos sobre os mesmos lenços,

pelos mesmos olhos,

e já não haverá palavras que não possam nos significar.

III

 

Disseste-me que a medida de teus sentidos

confundia-se por entre as minhas mãos

e o som doce de minha voz.

Acreditei, pois em mim viveste para sempre

todas as vezes em que me imaginei fechando

os olhos para beijar-te a boca.

E quando te afastaste de mim

– para cumprir a promessa que fizeste de deixar-me -,

capaz fui de encontrá-lo em todas as coisas que amei.

Fostes em mim a indestrutível maneira de estar sozinho.

 

 

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Jorge Pereira (Recife, 1994). Produtor cultural e agente literário pernambucano baseado no Rio de Janeiro e São Paulo. Fundador da Casa Philos e editor-chefe da Revista Philos. Curador de festivais literários e de arte contemporânea.

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