Fernando Haddad: “Sou fascinado pelos contos de Borges”

agosto 23, 2018 0 By André Balbo

Na 2ª edição da Lavoura, publicada em outubro de 2017, inauguramos a seção “Biblioteca de Babel”, na qual personalidades do meio artístico, acadêmico e intelectual compartilham algumas notas sobre as obras literárias fundamentais para a construção de seu pensamento crítico e trajetória profissional.

Hoje, dia 24 de agosto de 2018, completam-se 119 anos do nascimento de Jorge Luis Borges, patrono da  nossa seção especial, e, segundo Júlio Pimental Pinto, “o grande escritor latino-americano, e um dos grandes escritores mundiais do século XX”¹. Para o professor da USP, estudioso da obra do portenho, é inevitável ser borgeano nos dias atuais:

Se entendermos borgeano no sentido de uma celebração da leitura, de valorização da capacidade de não se restringir a uma única referência e da percepção do quanto é necessário estabelecer diálogo entre as leituras, penso que é inevitável ser borgeano no século XXI. Borges e o borgeano, nesse sentido mais apropriado do termo, subsistem em nosso tempo.²

Na edição que inaugurou essa seção na Lavoura, o convidado foi o professor de Ciência Política Fernando Haddad, que foi ministro da Educação, prefeito de São Paulo e, hoje, é candidato à vice-presidência da República. Entre as obras citadas por Haddad está Ficções, de Jorge Luis Borges.

Abaixo, reproduzimos a nota de Haddad sobre o livro selecionado:

Borges é um dos meus escritores prediletos. Sou fascinado pelos contos, particularmente. É uma literatura bem diferente daquela de García Márquez, por exemplo, de tal modo que não sei se é possível classificá-lo como um autor latino-americano, como se costuma fazer, porque talvez ele seja muito mais um autor universal. Me fascina sua erudição, sua capacidade de mobilizar saberes atemporais para retratar situações modernas – Borges podia citar de Spinoza até um filósofo grego para falar de uma angústia contemporânea. Lembro de ler “A Biblioteca de Babel” em voz alta para o meu filho, em Brasília, porque fiquei alucinado com esse conto em específico e precisava mostrar aquilo de qualquer jeito. Tenho bastante coisa de Borges em casa, porque todos sabem que gosto e acabam me dando de presente.

 

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1; 2. Trechos de entrevista concedida a André Balbo, em junho de 2016, para o jornal Arcadas (FDUSP). Disponível em: <http://www.jornalarcadas.com.br/30-anos-sem-borges/>