Três Poemas de Diogo Luiz Yamanishi

agosto 23, 2018 0 By Arthur Lungov

Contradiga

aponte e me diga:

isto é o que não é –

atordoe-me

 

não me deixe

 

não me deixe

a catar imagens

pelas margens do tempo

 

entre arbusto das horas:

 

aponte e me diga:

isto não existe

isto nunca nem existiu

então deite então role

todo o isto sobre mim –

 

não deixe

que o silêncio nos dome

com o nome das coisas:

 

não me diga

que isto é apenas um corpo:

 

sugira-me algo

maior

Insolação

areia nos pés

areia na boca

 

aspereza estridente

se digo

 

sereia

 

do grão

à praia

da letra

à palavra

 

entre-

vejo

 

so-

mente

 

lampejo

da coisa

 

alheia ao

real

sugerida

no sal

 

da língua

Desacordos

desconcerta

a velocidade das palavras

a velocidade dos dedos –

como afastar o mato

para construir algo novo:

escrevo – e uma floresta

de signos

permanece intacta

ao redor desta

falsa casa

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Diogo Luiz Yamanishi (1992) é poeta e mora em São Paulo. Trabalha com produção de cadernos e livros artesanais, realiza traduções e é professor de inglês. É autor do livro de poesia nenhum reino (2017, Vindouros) e da zine reino nenhum (2017, Vindouros). Participa de diversos saraus da cena paulistana e integrou a mesa “Visibilidades e visualidades LGBTQI+ na literatura brasileira e as novas fabulações da figura paterna” na Casa Philos + Estante Virtual durante a FLIP 2018. Atualmente, participa do Curso Livre de Preparação do Escritor na Casa das Rosas e tem apostado no formato do vídeo-poema para trabalhar seus próximos textos.