Três poemas de Vítor Resquin

19/01/2018 / postado por revistalavoura

CANDEIA

doze

balas

no pente

tem no

beijo

de maria

 

em cadência

compassada

colho lágrima

a luz do dia.

 

PEIXEIRA DE LAMPIÃO

O teu toque

corta e espana

feito peixeira

de lampião,

bálsamo

p’ras feridas

da vida,

é rio

de água

cristalina

vem chover

no meu

sertão

 

teu amor

é cangaceiro

feito beijo

de maria

são dois olhos

de trovão

 

no açoite da noite

teu amor é uma guerrilha

me invadiu o coração.

 

CANAVIAIS

vento

no canavial

e já não

mais vasculhamos

os espaços

deixados

pela saudade

 

deixa pra mais tarde.

 

__

Vitor Augusto Resquin Rodriguez, 20. É poeta tendo iniciado sua trajetória aos 14 anos com poesia marginal nas ruas de São Paulo, na tentativa de ruptura com concreto urbano, com uma série de 230 zines (Les diables de Vitor Resquin) feitas a mão. Recentemente publicou seu primeiro volume “Naufragar como verbo” pela Editora Reformatório.

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