Author: revistalavoura

Dois poemas de Ana Luiza Rigueto

os tambores no ar os gestosbarradoscaminho a minharaiva semmesura alguma hora vai sermeio dia o corporomperáno alívio das curvasmuito esforço             muito                                               espaço mãos cotovelos braçosombros pescoço olhos arregaladosboca testa olhos arregalados tronco tornozelos pisar pó, pedranão conter seiva,fúria mergulho pensando nas estruturas pensandonos versos quebras que faço por querercavar mais fundo pensando em horizontalizar nãoconsigo tenho…

By revistalavoura 9 de October de 2019 0

“A Holandesa”, poemas de Isadora Egler

número 1 no país que possuimais bicicletas que habitantesé possível se depararcom aqueles que retornam à casacarregando de tudo: as compras do mês,eletrônicos, mobília, uma, duascrianças, a holandesa é vistaa realizar o transportede algo que não cabe; o seu homem liga-tome cuidado reserva a isso o localmais longe do guidão-a holandesa coloca na garupao objeto…

By revistalavoura 2 de October de 2019 0

Dois poemas de Julia Bac

[sem título] se soltamuma a umado pano de chãoque acabo de lavarumaaumaenquanto o funk tocana ocupação no prédio da frenteumaaumaé preciso paciênciapra cair assimumaaumaesquecer o funke continuar a cairumaauma gota. [sem título] empilhado dentro de algum lugararmazenado, transportadocontido.depois, dentro da minha casaa possibilidade que ele carregaexplodir a qualquer momentoum bujãozinho de gásazul metálico. _ Julia…

By revistalavoura 27 de September de 2019 0

Dois poemas de Ronaldo Cagiano

Bronze Na gramática do tempoconsuma-se a linguagem perfeitadas estátuas. Everado Norões Na praça com seu nomepasso em frenteao busto inerte de Getúlio Vargase saúdo as aves veteranasque há décadas depositam em sua cabeçao engenho das fezesbatizando o metal sem vida. Olho ao redore a vida invertebradade vai e vens indiferentesnão se atémà inutilidade de todas…

By revistalavoura 26 de September de 2019 0

“Despejo”, conto de Rízzia Rocha

Olhando para ele naquela cama de hospital vi que havia envelhecido muitos anos em pouco tempo. Ainda adormecido pelos efeitos da anestesia, seu corpo nu, sob o fino lençol branco, era diáfano. Respirava com a boca aberta e as mãos agarradas nas grades da cama. Era o desespero frágil da vida que começava a hesitar.…

By revistalavoura 20 de September de 2019 0